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quarta-feira, 7 de março de 2012

Biblioteca: Ana Peixoto

Moro Aqui
(para Ademir Ramos)
Ana Peixoto

Estas árvores altas e frondosas
Dão sombra, flores e frutas saborosas.
À sombra ato a rede
Tomo um banho de água fresca
Provo a água, mato a sede
E deixo o tempo tomar a dianteira
Com galhos secos faço o fogo na churrasqueira
E enquanto vira carvão e brasa,
Na varanda da casa
Cato feijão de praia e arroz
Ponho para cozinhar os dois
Com jabá e manjericão
Faço um gostoso baião
Acompanhado de cheiro verde
Limão, murupi e pirão
Com jaraqui, DESTE TAMANHO, 
Assado na brasa
O pessoal de casa, diz: OBA! Aos gritos.
Bebo um gole de licor de jenipapo,
Saboreio um suco gelado de apuruí
Tá servido?
Para a sobremesa tem doces de cupuaçu, 
Jaca e bacuri
Mas se preferir comer caju, ingá e umari
É só pegar no galho,
Não dá trabalho.
Agora satisfeito, me deito.
Deito na rede para embalar
E ouvir o vento cantar no mato
Uma doce canção de ninar.
Estou em casa, no quintal.
Moro na Amazônia
E o mundo sonha
Ter um lugar igual.



E novamente uma Profissional da Literatura direto do Amazonas. Ana Peixoto enviou este belo poema e esperamos que ela esteja sempre por aqui assim como sua amiga que nos indicou, Franciná Lira.

Castelo do Poeta
twitter: @castelodopoeta

TEXTO CEDIDO E AUTORIZADO POR ANA PEIXOTO

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Biblioteca: Franciná Lira

A Última Travessia
João Lenjob

As águas no “negro” estão me chamando...
E só de pensar no vento frio em meu rosto
Aumenta a vontade de para o Iranduba partir...
Nos braços da Bacural vou me lançar,
Nos banzeiros vou me deixar levar.
A amada no barranco deixei,
Levo do vento, a sublime canção
para a face afagar.
O banzeiro que vai e vem traz o cheiro
Da minha “caboca” e o sabor de cupuaçu em sua boca.
Partiremos, portanto, sem demora
Na vila, quero ver a Aurora
e a última balsa sai daqui a meia hora.
O Boto Navegador é meu companheiro,
Desliza manso na dança das águas,
No odor dos jaraquis e no rebojo dos botos.
A última travessia é presente da natureza,
Onde os navegantes deixam-se levar
Por seu encantamento e mistério...
Nas trilhas das espumas,
Afogo meus sonhos e esperanças
Perco-me na paisagem
Encontro-me na melodia da viagem.

A Escritora Franciná Lira é amazonense, da capital Manaus e após encontrar o Castelo, chegou de vez para nos prestigiar com sua bela literatura. Nós esperamos tê-la sempre por aqui.

Castelo do Poeta
twitter: @castelodopoeta

TEXTO CEDIDO E AUTORIZADO POR FRANCINÁ LIRA