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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Com o Cetro: Fernando Alsandálio

Quadro para profissionais da Cultura Brasileira com perguntas fixas elaboradas por João Lenjob inspirado no Livro Entrevistas de Clarice Lispector. Outros Profissionais com o Cetro.


Fernando Alsandálio, Mineiro, Escritor, Desenhista Gráfico
Você critica seus próprios trabalhos? 
A crítica é uma constante na própria feitoria da obra. Daí o texto ter de ser reescrito várias vezes. E quando não fica do jeito que desejo, a lata de lixo é a melhor moradia.  

O que é o amor? 
Amor é uma das invenções mais duradoura, sublime e perversa do ser humano.  

As conquistas interferem na vida pessoal? 
A conquista, qualquer uma, traz em seu bojo o desequilíbrio, a desarmonia, levando o conquistador a perder o senso da proporção humana. A única conquista aceitável é a conquista de si.  

Qual o maior momento da carreira? 
É na feitura da obra que está o maior momento da carreira.  

Quando você sabe que vai dar certo algum trabalho? 
Quando o ponto final é posto, o livro é posto de lado por uma semana, então é hora daquela leitura que definirá se a obra deu certo ou não. Há sempre um risco, nunca se sabe se dará certo ou não.  

Como você acha que o Castelo pode ser exemplar ou inspirador através da sua pessoa?
O Castelo, como toda iniciativa de apoio e divulgação de literatura, só merece aplausos.

O seu trabalho é a coisa mais importante de sua vida? 
Sim.  

O que você mais deseja atualmente? 
Paz e tranquilidade para poder escrever sem pressão.  

Como as pessoas podem interferir no seu trabalho? 
O escritor, de modo geral, precisa estar só para poder trabalhar. Qualquer ameaça a essa solidão atrapalha o andamento do trabalho.  

Quais os profissionais da arte, moda, esportes, educação, saúde e afins você mais admira pela natureza profissional e pessoal? 
Escritores: Sérgio Sant’anna, Rosário Fusco, Campos de Carvalho, Zulmira Ribeiro Tavares, Lima Barreto, Oswald Andrade, Clarice Lispector e muitos outros. Dos estrangeiros: Julian Barnes, Flaubert, Maupassant, Pirandello, Tchecov, e outros.
Novo também no Castelo, o jovem paulista Bruno Santana também é um ator novo na área e vamos ver se ele volta mais às vezes.

Fernando é outro dos amigos do João Lenjob oriundos de Nova Era. Na entrevista ele mostra mais um pouco do talento local tão citado por Lenjob.

Castelo do Poeta 
@castelodopoeta

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Poesia no Verde: Franciná Lira

Roçado
Franciná Lira

A manhã surgiu nublada
É preciso erguer o corpo
Fortalecer os braços e ir para a roçado.
As folhas estão murchas, feridas
Faz-se necessário arar a terra
Recolher os galhos e fazer coivara.
É preciso semear, plantar
Compartilhar com o rio boas sementes
E fazer a terra cantar.
É no florescer de cada dia
E no encanto do verde
Saber cultivar e preservar!

Pedimos milhões de desculpas por estas duas semanas de paralisações, informando que fomos forçados a isso e que empenharemos ao máximo para evitar que isso nos aconteça novamente.
Acima poema amazonense da nossa correspondente Franciná Lira.

Castelo do Poeta
@castelodopoeta

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Poesia no Verde: Ana Peixoto

Rio Amazonas
Ana Peixoto
 
Sou claro, sou forte. Sou farto
Como os cabelos dos brancos
Que outrora me desbravaram.
Às vezes chego a ser encrespado
Com nuances de dourado
Como os cabelos sarará dos arigós
Que à sombra dos seringais se abrigaram.
Sei que sou importante.
Por onde passo sou fertilizante
E num toque de mágica decidida
Transformo tudo em vida e comida.
Nos balanços dos seus galhos
As jovens e as velhas árvores
Jogam flores perfumadas ao vento
Para suavemente me embriagar.
Faço voltas, abro braços, faço atalhos
Cerco as ilhas, as matas retalho
Pareço me aquietar...
Sou às vezes (re)manso
Mas num ímpeto me lanço
Aos seus pés para beijar.
São tantos beijos, tantos
Que a terra-caída de amor se lança sobre mim
E se deita em meu leito
Então aproveito
E adentro as partes estreitas
À procura de mata virgem
Para comigo seguir até ca(n)sar e enfim
Procurar um abrigo
Entre as moitas de capim
Para fazer (f) ilhas – criar a fauna.
Aviso a quem nos explora:
Eu so (r)rio, caminho para o mar, enfim
Não paro, não (des)canso e agora
Eu não vivo sem a Flora
E ela depende de mim. 

E mais uma vez no Castelo a literatura verde de Ana Peixoto, só que desta vez com a lírica florestal do Poesia no Verde, da curadora Franciná Lira.

Castelo do Poeta
@castelodopoeta

TEXTO CEDIDO E AUTORIZADO PELO GRUPO POESIA NO VERDE

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Poesia no Verde: Moisés Bentes

Alma do Amazonas
Moisés Bentes 

Há alma em certas coisas, certas pequenas coisas. 
No aroma do rio, no entardecer abafado, 
nas cantigas dos mais velhos, nas crianças 
chapinhando das canoas, no banzear dos barcos. 

Alma que se faz presente em mim, 
quando a noite se ergue para os festivais, 
com um profundo canto de mistério redentor, 
que do seio da floresta clama por mais e mais, 
e tudo se torna alma vivente, 
alma que o Amazonas batizou de amor. 

E no Castelo, como temos acompanhado nas segundas, o projeto artístico vindo do Amazonas, parceria com a nossa Curadora do Norte Franciná Lira, apresentando desta vez Moisés Bentes. 

Castelo do Poeta
@castelodopoeta

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Poesia no Verde: Lais Borges

Panorama das Águas
Lais Borges

Fragmentos coloridos deslizam pelas águas,
dando lugar ao barco que vem chegando.
Curumim se entrega ao igarapé
ignorando solenemente o lixo.
Se abraça ao pedaço de isopor,
Para não ser tragado pelo negrume aquático.

Bandeiras formadas pelo colorido das redes
são visualizadas ao longe,
anunciando a chegada vagarosa do motor,
que traz motivos para matar a saudade
e aproximar amazônidas distantes.

Fardos para cima e para baixo
acompanham o desfile de malas
enquanto carregadores bancam
eternos bêbados equilibristas
na corda bamba de uma escada enferrujada.

A representante do Projeto do Castelo com a Literatura de Manaus Poesia no Verde tem agora uma já conhecida artista do nosso portal: Lais Borges. Esta parceria com Norte brasileiro é importante para veicular a arte que está longe da cultura sudestina. Agradecemos mais uma vez a pioneira Franciná por ter nos apoiado nesta iniciativa brilhante.

Castelo do Poeta
@castelodopoeta

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Biblioteca: Mohara Villaça

Eu/você
Mohara Villaça

Eu gosto muito de você.
Gosto do seu sorriso e de quanto seu tamanho de doçura me contém, esmaga minhas dores como se elas não existissem.
Sua cara assim, sorrindo, inibe meus medos de uma forma tão absurda
(que eles se escondem de você – e só reaparecem quando você some)
Eu gosto de você e tenho medo de te perder. E tenho medo de te deixar ir. Não sei se algo em mim consegue te libertar.
Acho que não. Acho que não quero.
Eu gosto muito de você.
E quero desvendar hoteis, viajar de avião, rir.
Eu amo você.

 
O que Segue Depois
Mohara Villaça

Assim, hoje.
Eu me despeço das coisas que fomos todos.
E das que deixamos também de ser. Das que não fomos.
A ligação que mantive como num laço dourado de afeto rasgou-se. Efim.
Dela não resta nada, nem um fio sequer. Ela se foi. E nós chegamos na encruzilhada eu parti sozinha e vocês foram pra outro lugar.
Eu não fiquei.
Nunca fico.
Hoje, assim. Tirei todos vocês de mim pra nunca mais chamar de volta. fim.

Mais uma vez no Castelo uma rodada dupla desta brilhante escritora residente em Belo Horizonte chamada Mohara Villaça. Mais sobre esta tão formosa profissional em seu blog Press Word Ponto. 

Castelo do Poeta 
@castelodopoeta

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Poesia no Verde: Franciná Lira


Tarrafa
Franciná Lira

Saudosa lembro-me
Das pescarias que
Fazia com o meu pai.

Pelos rios e lagos
A canoa deslisava mansamente
Sabia sempre que a pescaria
Arrancaria sorrisos largos.

"Seu Luiz" sempre à proa
Ditava o ritmo da remada
Eu, menina, ria à toa
Quando a tarrafa era arremessada.

Borbulhava em mim a alegria!
Com as puxadas do pescador
Um novo brilho prata surgia
Pacus, carás, matrixãs

Meu remo mantinha o controle da canoa
E mais e mais
Tucunarés, jaraquis, surubins
Enroscados na rede surgiam...

A partir da próxima semana esta postagem literária que eventualmente será de responsabilidade da Escritora do Norte e nova Colaboradora Franciná Lira que além de lançar seus textos, abrirá espaços a outros atistas do Norte e principalmente do Amazonas. Esperamos ainda detalhar algumas especificaçoes ainda como abrir espaços para coberturas e também entrevistas. É o maior estado no Castelo. É o Castelo fazendo arte no Brasil inteiro.

Castelo do Poeta
@castelodopoeta

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Biblioteca: Franciná Lira

Lembrança das Águas
Franciná Lira


Diante dessa imensidão de águas
Recordo-me da minha infância
Onde os rios e lagos, mata e floresta
Comungavam minha vida de inocência.
 
Eu vivia a brincar em canoas
Remar sem direção por mera diversão
Largar o meu anzol e pescar piabas
Por entre as brechas das tábuas do assoalho
E brincar de fazer caldeirada.
 
Hoje os meus olhos voltam-se
Para a realidade dos alagados
Cidades submersas.
 
Pego o me remo e entro na canoa...
Meu corpo não é mais de criança
Mas minha mente leva-me
Aos meus dez anos de idade
E cintilam em cada remada.
 
Angustia e alegria misturam-se
E confundem-me.
Não sei se me deleito em minhas memórias
Ou compadeço-me por esse povo sofrido
Que anseiam o baixar das águas.
 
Ah! Que maravilha poder remar novamente!
Deslizar minha canoa por essas ruas alagadas...
Vê as crianças banharem-se e brincar inocentes.
Perdoem-me por esse sentimento de felicidade
Diante deste infortúnio que é esta enchente...

Novamente a nossa escritora do Norte Franciná Lira que pode em breve fechar uma parceria com o Castelo. É semre bom ver este talento com a gente.

Castelo do Poeta
@castelodopoeta

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Biblioteca: Franciná Lira

Canoas
Franciná Lira

As canoas passam diante dos meus olhos
Levando os filhos da enchente
Desfilando silenciosamente...
 
Águas mansas que escondem a realidade
Da revolta da natureza pelo ser humano
Que não teve por ela piedade.
 
No canoar de todos os dias,
De todas as horas os filhos da águas
“caminham” nas ruas alagadas
Levando a vida nas ondas
Horas brandas horas agitadas.
 
Transportam desde o fiel amigo do homem
Ao visitante curioso, oportuno.
Não se esquecendo do pão e da pinga
Que alimentam o corpo e desviam o sofrer.
 
Mais uma vez nossa parceira talento escritora representante do Norte veio nos saudar com mais um belo texto, que por sinal é fantástico. Segundo Lenjob o melhor dela até agora, sem desmerecer os demais. A Franciná Lira sempre estará por aqui.
 
Castelo do Poeta
@castelodopoeta
 
TEXTO CEDIDO E AUTORIZADO POR FRANCINÁ LIRA

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Biblioteca: Mohara Villaça


Um
Mohara Villaça

Os olhos se encontram entre os copos.
Os corpos colidem como cometas, é inevitável.
As mãos se tocam como obstáculos, é impossível tocar por dentro
- por isso escrevo. Quero te tocar dos ossos à alma. Inteira.


Dois
Mohara Villaça

Esse é para você e para sua pele macia.
Para você e para seus beijos, para a luz da janela aberta, pro

colchão na sala, pros sorrisos. 
Esse é para nós, paralelas.
Esse é para nos que nos encontramos, então. Mais uma vez.
Esse é para você e para seu sorriso grande e sua delicadeza, e  seu carinho, e as coisas que sinto, para todas as coisas que sinto e ainda não vou te contar.


Grande amiga do Lenjob que é fiel admirador e ainda estima dela uma parceria surpresa para o futuro, Mohara Villaça é este talento que deixou para o Castelo dois textos. Em breve mais dela aqui. Mais de seu talento em seu Blog.

Castelo do Poeta
twitter: @castelodopoeta

TEXTO CEDIDO E AUTORIZADO POR MOHARA VILLAÇA

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Biblioteca: Daniele Lippert


Desatando Nós
Daniele Lippert

"Eu nunca foi tão boa assim em desatar nós", disse-lhe a avó, enquanto tomava de suas pequenas mãos o emaranhado de colares coloridos. "Mas a senhora não parece ter dificuldade...", retrucou a menina, que brincava com a barra de renda de seu vestido cor de rosa e observava com atenção as mãos enrugadas e trêmulas de sua velha avó, que, com experiência e num movimento quase automático, tentava desenrolar aquela mistura de cores e formas.


- Um dia, minha filha, você aprenderá que os nós mais difíceis de se desatar são aqueles formados na garganta, no momento em que o coração chora e você deve segurar as lágrimas para que elas não transbordem e escorram pelos olhos. Os nós criam raízes na garganta, te impedem de falar, de se mexer, de engolir, de piscar. Qualquer movimento impulsivo pode acabar exteriorizando aquilo que você não quer que ninguém veja: a dor. Nesse momento, deve-se, com cuidado, sorrir. Os sorrisos na hora da dor são como os nossos dedos no desenrolar destes cordões. Observe bem, meu amor. Cada dedo meu é um doce sorriso... Veja como os sorrisos têm a capacidade de desfazer, calmamente, cada um desses terríveis emboladinhos.

A avó chegou mais perto da neta com os cordões, passando os dedos por entre as diferentes pedrinhas que se encontravam e acabando aos poucos com a confusão. Os olhos da pequena menina não se mexiam. Ela apenas observava e deixava a senhora concentrada de óculos enormes terminar seu trabalho.

- Parece difícil, não é? Realmente é. É necessário criar sabedoria e maturidade suficientes para treinar seus melhores sorrisos por horas, dias e até meses ou anos. Não estou lhe dizendo que um dia a dor amenizará. Mas, filha, uma vez que a vida lhe trava a garganta algumas vezes, você acaba desenvolvendo a habilidade de lidar melhor com os seus problemas e, voilà, tudo fica mais claro para que se possa solucioná-los.

O emaranhado transformou-se em algo identificável. Um por um, os cinco colares finalmente se soltaram e e a senhora os entregou à pequena netinha. "Obrigada, vovó", disse a menina, que saiu apressada para o quintal. Obviamente aquelas palavras não significaram muito para ela naquele momento, mas elas ficaram guardadas em algum lugar de sua memória. Tudo tem seu tempo.

E a nossa colega artista do Rio de Janeiro, que já foi entrevistada aqui cedeu com exclusividade esta bela crônica e nós esperamos muito mais dela aqui no Castelo.

Castelo do Poeta
twitter: @castelodopoeta

TEXTO CEDIDO E AUTORIZADO POR DANIELE LIPPERT

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Biblioteca: Franciná Lira

Convite da Lua
Franciná Lira
(ao Leonardo Sal) 


A noite estrelada é um convite 
A parar o incontrolável tempo, 
Enquanto sorvo por ti um vinho 
Sentindo a brisa do mar... 


A vida passa feito flechas 
Atiradas sem destino 
Em noites frias que te chamam 
Para o calor dos meus braços... 


No infinito céu a lua prateada 
Hipnotiza-me com sua beleza 
Cúmplice desde aquele encanto inesperado... 


No paraíso contemplo o luar 
Refletido em teus olhos, 
Na magia ouço “Sade” cantar...


E novamente nossa Escritora, uma das representantes do Norte do país Franciná Lira com belo poema. O Castelo está sempre de portas abertas para ela e nunca elevadas, claro!!

Castelo do Poeta
twitter: @castelodopoeta

TEXTO CEDIDO E AUTORIZADO POR FRANCINÁ LIRA

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Biblioteca: Mariana Coutinho

Numa Mesma Noite 
Mariana Coutinho 

 Você tinha se tornado alguém que eu via passar de longe e não reconhecia mais. Eu já não sentia você. Não sabia você. Não percebia você. Meus olhos te procuravam, retornavam, guardavam, mas sempre a partir daquela foto antiga que não era mais o que é você agora. Três anos te guardaram de mim. Em mim. E agora eu estou aqui sentada nesta mesa olhando para os seus olhos enquanto suas mãos escorregam neste copo esfumaçado de bebida gelada e eu não consigo dizer tudo o que eu penso. Suas pernas trêmulas entregam o seu estado e você insiste em dizer que é natural. São três horas da manhã e eu te escuto falar de outros amores, paquera, sexo, trabalho, religião, viagem, cidade, saudade. Eu também continuo insistindo em mostrar o que eu acredito. Você com este único cigarro na mão esquerda, saiu daquela fotografia antiga e deslizou para o meu presente. Eu continuo insistindo em outros amores, te conto sobre todos eles e você com esse sorriso sem graça de quem não pode mais regular o tamanho da minha roupa, sequer me olha nos olhos. Eu, daqui, querendo que você me olhe inteira; olho para o meu copo vazio para que você consiga desviar o olhar até a mim sem que eu te assuste. Você não me deixa perceber. Eu preciso te redescobrir. Arriscar. Entender o que você quer. Eu sonho contigo enquanto você me liga milhares de vezes numa mesma noite. É por isso que estou aqui sentada nesta mesa com você. Não fui eu que insisti. Foi você que me chamou. Esqueço de tudo. Do seu último namoro. Das minhas viagens. Dos três anos que nos separaram. Os dois copos agora vazios em cima da mesa antecedem uma decisão. Vou embora com você.

Mariana, talentosa e versátil atriz, artista mineira, que já esteve presente aqui com Entrevista conduzindo o Cetro voltou com este belo texto acima e esperamos muito mais dela aqui. Mais sobre ela e de seu trabalho em seu blog Mariana Coutinho e em Entre Encontros.

Castelo do Poeta
twitter: @castelodopoeta

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Com o Cetro: Isadora Ribeiro

Quadro para profissionais da Cultura Brasileira com perguntas fixas elaboradas por João Lenjob inspirado no Livro Entrevistas de Clarice Lispector. Outros Profissionais com o Cetro.


Isadora Ribeiro, Paulista, Fotógrafa, Poeta, Pintora, Atriz


Você critica seus próprios trabalhos?
Sem dúvida.

O que é o amor?
Não acredito que o amor seja mágico. O amor é bem mais racional do que pensam… amar é uma decisão fundamental, uma doação constante, que só nos acrescenta no que somos, seja ele qualquer 'tipo' de amor.

As conquistas interferem na vida pessoal?
Sim, quando edificam são bem-vindas.

Qual o maior momento da carreira?
Sempre penso em uma frase que ouvi um colega de fotografia dizer que 'a melhor foto sempre está por vir'. Porém, para responder a pergunta, ultimamente foi quando recebi o convite para participar do evento da Adidas Originals como representando do blog Atelliê Fotografia e quando fui chamada para mostrar meu trabalho na exposição da VAF (Vox Art of Festival).

Quando você sabe que vai dar certo algum trabalho?
Ninguém sabe. Mas, faço o máximo para chegar até lá.

Como você acha que o Castelo pode ser exemplar ou inspirador através da sua pessoa?
Para mim, o ser humano inspira o tempo todo em todas as suas diferenças; a própria vida já é uma inspiração. Se eu conseguir causar isso sobre alguém de qualquer maneira, me sinto muito recompensada.

O seu trabalho é a coisa mais importante de sua vida?
Não. É uma parte dela e de mim.

O que você mais deseja atualmente?
Paz de espírito e equilibrio, sempre.

Como as pessoas podem interferir no seu trabalho?
O tempo todo. Acredito que em todas as áreas, é sempre necessária essa interferência, em artes principalmente. O ser humano precisa se expor e se impor, e se não for por meio da arte, será por outra maneira (talvez não tão intensa). Por isso, sempre estou aberta ao que for para mostrar de forma artística desde uma ação simples das pessoas até o seu mais profundo sentir. Assim, faço comigo mesma, em meus trabalho de autorretratos.

Quais os profissionais da arte, moda, esportes, educação, saúde e afins você mais admira pela natureza profissional e pessoal?
Sem dúvida minha maior fonte de inspiração vem de palavras, e alguns nome da literatura e filosofia; então vou citar alguns aqui. Sou uma grande fã e leitora de Clarice Lispector, pensando rápido, sem dúvida ela é uma das minhas maiores fontes de questionamentos e é claro criações. Também gosto de outros nomes 'famosos' como Tolstoi, Bukowski, Nietszche, Fernando Pessoa, Constantin Stanislavski. Porém ainda assim, acredito que todo ser humano seja capaz de inspirar, sempre temos a chance de extrair algo das pessoas e de nós mesmo, e tenho a honra de fazer isso fotografando.

Nova no Castelo, descoberta de João Lenjob, a artista tão versátil e completa é super admirada por ele, que afirmou com veemência que ela é inspiradora. Esperamos mais dela em breve por aqui.

Castelo do Poeta
twitter: @castelodopoeta

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Biblioteca: Fernanda Colcerniani

Oração 
Fernanda Colcerniani


Te devoto minha oração 
Clamo-te o meu perdão 
Redima-me dessa ausência. 
Peço-te que compreenda o meu pavor 
An’ti a sua face pálida 
E branca 
An’ti o seu mistério 
E seu enigma 
Perdoe-me por me encontrar 
Na escuridão 
Diante da sua clareza. 
Ensina-me a lidar 
Com sua receptividade, 
De corpo morto 
E alma viva. 
Daí-me lucidez 
E astúcia 
Eu te clamo, 
Eu te clamo, 
Amém.


De forma brilhante e consciente, a Escritora Fernanda escreve em segunda pessoa sem um erro ao utilizar o Modo Imperativo. Valeu o poema.


Castelo do Poeta
twitter: @castelodopoeta


TEXTO CEDIDO E AUTORIZADO POR FERNANDA COLCERNIANI

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Biblioteca: Cecília Carneiro


Pepi e a Pipa
Cecília Carneiro


Pepi olha a Pipa no céu
Abana o rabinho
Mas ela não liga nem um tiquinho.
Pepi late
Mas a pipa voa mais longe
E na nuvem se esconde.
Pepi dá uma rodadinha
E a pipa lá do alto
Da uma olhadinha.
Agora Pepi e a Pipa
são amigos.
Pepi quer voar e a pipa aprender a rosnar.
Onde já se viu?


E a prima de João Lenjob Cecília Carneiro volta ao Castelo com mais um brilhante poema. Esperamos muito mais dela aqui.


Castelo do Poeta
twitter: @castelodopoeta

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Biblioteca: Fernanda Colcerniani


Apartamento
Fernanda Colcerniani

- Oi, nossa, como você está sumida!
- Pois é, é a correria. Mas você também nunca mais apareceu.
- Há, sabe como é... A gente nunca para né? Trabalho, casa, marido, filhos...
- Hi, sei como é isso. Por aqui também estamos numa correria danada. E as novidades?
- Não tenho. Nada de novo. A vida está na mesma, estou trabalhando muito... E você? O que me conta de novo?
- Nada também, o mesmo de sempre. Trabalho, faculdade, namoro...
- E sua mãe está bem?
- Está sim, graças a Deus. E os meninos?
- Há, cada dia mais lindos, levados que só vendo. Passo aperto com eles. São muito espertos.
- Faço idéia!... Bem, eu deixei uma pizza assando no forno, vou lá olhar.
- Tudo bem, eu vou ficar aqui e acabar de limpar a janela. Vê se não some vizinha!

A pequena crônica acima é da querida e sempre presente castelar Fernanda que já criou identidade com o Castelo e puxou de volta. Vem mais dela aí.

Castelo do Poeta
twitter: @castelodopoeta

TEXTO CEDIDO E AUTORIZADO POR FERNANDA COLNERCIANI

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Biblioteca: Franciná Lira


Sem Fronteiras
Franciná Lira  escreve para Eva Edi Kiss e John JT Taylor

Mares separam os corpos
Que anseiam por mais um toque
Por mais um beijo, mais um momento.

Já não me lembro quanto tempo faz
Lembro-me apenas que em teus braços me perdi
No encontro do teu olhar de mar.

A brisa marinha traz o cheiro de tua pele
Envolto em caricias de saudades
Teu mar de amor me chama, em chamas.

Eu clamo teu nome, na fome
Do tempo e da distancia...
Do amor que não conhece fronteiras.

No desencontro no mapa
Encontro-te nas cartas, 
No sopro do pensamento.

O relógio caminha lento
E eu lamento cada segundo perdido,
Contido na longa espera de
Amor subtraído.

Desejo banhar-me no teu paraíso marinho
Navegar nas ondas dos teus carinhos
Traçar contigo novos caminhos
Sempre juntos, nunca mais sozinhos...

E novamente o Brasil no Castelo vem presentado pelo norte da talentosa Escritora Franciná Lira, que sempre aparece por aqui. e tem seu espaço cativo.


Castelo do Poeta
twitter: @castelodopoeta


TEXTO CEDIDO E AUTORIZADO POR FRANCINÁ LIRA

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Biblioteca: Cecília Carneiro

A melodia da chuva
Cecília Carneiro

A mesma chuva 
que de dia caiu
que molhou a roupa
que trouxe o frio
deixou a voz rouca
mas que ninguém 
ouviu...

Agora  molha a lua
o mendigo na rua
o telhado da casa
o menino que passa. 

E no silêncio 
da noite
já não tem carros
já não se escutam
passos

Não tem multidão
ela cai melancólica
serena 
só
na escuridão. 

No meu quarto
deitada
querendo dormir
ela nina
ela me fascina
é melodia
e não melancolia
até o outro dia
que insiste em vir.



A Cecília para quem não sabe, é prima do nosso editor Lenjob. Ela humildemente pediu um pouco de atenção e carinho ao ler seus poemas e ele nos afirmou que ela é puro talento e que se surpreendeu. Portanto, esperamos que ela volte sempre e que o Castelo sempre seja surpreendido com textos assim de todos os escritores.

Castelo do Poeta
twitter: @castelodopoeta

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Com o Cetro: Fernanda Colcerniani

Quadro para profissionais da Cultura Brasileira com perguntas fixas elaboradas por João Lenjob inspirado no Livro Entrevistas de Clarice Lispector. Outros Profissionais com o Cetro.


Fernanda Colcerniani, Mineira, Professora, Escritora



Você critica seus próprios trabalhos?
Acho que critico-me como qualquer ser humano critica a si mesmo. Por ser humana, tenho a alma crítica... Então, se faço isso com os outros, faço comigo também, e muito!!! Muitas vezes algum trabalho fica por tempos guardado por eu não achar que ele está pronto para ser mostrado. Isso muitas vezes me prejudica como "escritora", porque acabo retendo muitas coisas por insegurança da crítica do outro, já que eu mesma não consegui aprovar. 
Não é muito diferente como professora. Quando não dou uma aula legal, me sinto um pouco frustrada.

O que é o amor?
Amor... Hum, hoje mesmo li algo sobre o amor e dizia que o amor é "um sentimento dos seres imperfeitos que buscam a perfeição" (Joshua Cooke). Mas não sei se é bem isso que eu penso. Na verdade essa pergunta não veio em boa hora. Estou reformulando a ideia de amor dentro de mim. E tenho a sensação de que estou mais rígida e severa para as coisas que podemos considerar como "amor". E ando desconfiada de que o ser humano desconhece tal sentimento... Pelo menos a maioria, desconhece o amor verdadeiro... Isso que chamam por ai de amor é qualquer outra coisa, menos amor. 

As conquistas interferem na vida pessoal?
Eu não sou boa em separar vida pessoal de vida profissional. Sou um ser único, não consigo me fragmentar... Então tudo o que acontece comigo, de bom ou de ruim, me afeta em todos os aspectos possíveis, seja para o bem ou para o mal. 

Qual o maior momento da carreira?
O maior momento é sempre aquele que me faz feliz... Então, todos os momentos que me senti feliz e plena, foram os melhores.

Quando você sabe que vai dar certo algum trabalho?
Eu nunca sei. Apenas faço o meu melhor.

Como você acha que o Castelo pode ser exemplar ou inspirador através da sua pessoa?
O Castelo é um lugar que tem a minha cara. Talento, cultura e mar de poesia em um único lugar. Onde tem poesia, eu estou.

O seu trabalho é a coisa mais importante de sua vida?
O trabalho é complemento fundamental da minha vida, mas não é o mais importante.

O que você mais deseja atualmente?
Desejo me encontrar. Estou precisando muito sentir aquela sensação de que estou fazendo a coisa certa, seguindo o melhor caminho. Mas esse sentimento de certeza há muito tempo não me acompanha, então, me sinto um pouco desnorteada. Quero muito encontrar meu norte de novo.

Como as pessoas podem interferir no seu trabalho?
Positivamente: palpitando e muito. Mas claro, sempre com boas intenções. Negativamente: Criticar com a intenção de menosprezar ou com a intenção de comparar. Afinal, cada um é cada um. 

Quais os profissionais da arte, moda, esportes, educação, saúde e afins você mais admira pela natureza profissional e pessoal?
Bem, não existem tantas pessoas que eu admire em tantas áreas. Moda e esporte, por exemplo, eu sou leiga. Mas tenho uma admiração profunda por Chico Buarque, Elis Regina e Milton Nascimento. São três músicos, e com excessão da Elis, compositores. Através da obra deles sempre tenho a sensação que eles falaram, fizeram, cantaram e compuseram tudo o que eu sempre quis fazer, cantar e compor. Além deles existem poetas como Drummond (que admiro pelo lirismo), romancistas como Machado (que admiro pela sua maldade e inteligencia) e Clarice Lispector (que admiro pela sua forma intimista de escrever, além de me inspirar, e muito). Na educação admiro os educadores como eu, da rede pública, que mata um leão por dia. 

Fernanda foi vizinha, colega de profissão na literatura e super amiga do João Lenjob e ela a redescobriu  recentemente e fez o convite para vir pro Castelo. Semana passada ela se inaugurou com um texto e agora cedeu esta entrevista fantástica. E, ela voltará.

Castelo do Poeta
twitter: @castelodopoeta