quinta-feira, 31 de março de 2011

Estúdio: Maurício Tizumba

Mauricio Tizumba, Trio e Fabiana Cozza apresentam Canto para Oxalá



Há muito tempo queria o Cantor mineiro Maurício Tizumba, que é muito mais que Visconde. Tizumba é um Rei de uma geração inteira que segue com fidelidade seu talento e suas majestosas obras musicais e cênicas. Foi difícil encontrar um tempinho livre dele pra pedir a autorização, mas generoso como habitual, concedeu e deixou nosso espaço um pouco mais belo. Mais sobre o músico é só conectar http://www.tizumba.com.

João Lenjob
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MATERIAL CEDIDO E AUTORIZADO POR MAURÍCIO TIZUMBA

Trilha: Aventureiros

Os Aventureiros Cavaleiros em Perdidos













































































































































Desta vez eles tiveram mesmo que encontrar um mapa, mas o resultado valeu a pena, o que é comprovado pelo belo conteúdo das fotos. Em Perdidos, Hugo e Juca precisam saber se vão para Trancoso ou Porto Seguro.

João Lenjob
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O MATERIAL ACIMA É DE RESPONSABILIDADE DOS COLABORADORES HUGO CABRAL E JUCA

quarta-feira, 30 de março de 2011

No Panamá do Poeta: Carla Duque

Parte I


Parte II


Esta foi, realmente, a primeira entrevista do quadro novo no "Panamá do Poeta", que realizei com a doce Viscondessa e Atriz Carla Duque na sede do SINPARC em Belo Horizonte. Foi um excelente trabalho, que valeu a pena produzir e editar e, mais uma vez, muito do Teatro em BH e Minas se pode perceber, entender, aprender. Carla falou de seu pai (o também ator Rômulo Duque), de Malu Mader, Fernanda Montenegro, e ainda de Zeca Santos e Leléo Scarpelli (dois grandes atores mineiros que nos deixaram há pouco tempo). Falou também de suas peças mais recentes, das enormes dificuldades encontradas na carreira e muito mais. A produção foi toda realizada pelo Castelo do Poeta e a TV Castelo. A música tema de abertura do Projeto é Abracadabra, de autoria minha com Vinícius Inácio, que a interpreta com maestria.

Carla Duque em breve estará de volta ao Castelo, para o Projeto Verso Liso, declamando "Poemas e Poesias". Aguardem!

João Lenjob
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ENTREVISTA AUTORIZADA POR CARLA DUQUE

Cortiça Imperial: Vereda Editora Inauguração
















O Duque João Lenjob e a Modelo Shay
















O Escritor Augusto Borges, o Duque João Lenjob e Marina Acurcio
















A Modelo Shay e o ex atleta Pablo Sorin
















A Modelo Shay e o Músico Samuel Rosa
















O Duque João Lenjob e os Músicos Samuel Rosa e o Visconde Maurinho Nastácia
















O Músico Samuel Rosa, o Visconde Maurinho Nastácia e a Estilista Juliana Porfirio

Inauguração Vereda Editora
Realização: Espaço 104 dia 29 de março
Figurino João Lenjob: Paula Souza Inácio

Nos Aposentos da Maluf: Rosângela Maluf

Infeliz Ano Novo
Rosângela Maluf

No primeiro dia do ano aquela cidade amanhecera chuvosa, cinzenta e fria.

Ninguém nas ruas, nenhum ônibus àquela hora da manhã e raros carros circulavam por ali. Ventava um pouco e aguardando um taxi, ela não conseguia chorar, nem sentir raiva, mas uma indiferença doída que lhe apertava o coração.

Não demorou muito parou em frente ao Hotel B.
Naquele abrigo de ônibus esperaria pela van que seguiria em direção ao aeroporto. Ninguém na rua àquela hora da manhã. M. era a única pessoa na avenida West e ainda faltavam 45 minutos para a próxima saída. Um gosto horrível na boca, gosto de decepção, um misto de frustração, impotência e desencanto. Profundo desencanto. A noite havia sido longa, insone, mesmo sendo réveillon. Noite triste, cheia de medos, incertezas e dúvidas.

Uma discussão, uma cena horrorosa, farpas atiradas para todos os lados, ódios contidos, mágoas acumuladas e justo na última noite do ano, o tsunami varreu seu coração, inundou sua mente e levou nas águas barrentas todos os sonhos e planos imaginados para o novo ano. Na tv, sem som, pessoas festejavam na praia suas alegrias brancas. Os sons da meia noite eram ouvidos , ao longe.

A caminho do aeroporto, só, absolutamente só , vieram as lágrimas e desceram feito cascatas. Auto piedade era um sentimento deplorável: pena de si mesma, não, era de matar ! Mas o tempo continuava chuvoso , as estradas continuavam vazias, seu coração doía em silêncio e tudo era cinza e tudo era tão triste! Mal começo para um ano novo.

No aeroporto, poucas pessoas, pouquíssimas. Primeiras palavras do dia. Check-in. Longa espera, pensamentos desconexos, sono, mágoa, rejeição e uma tristeza arroxeada e lilás. M. comprou revistas, um livro, palavras cruzadas. Esperou, esperou e subiu finalmente para a sala de embarque. Colocou a bolsa no banco, deitou e cochilou por pouco tempo. Tomou um café mas apesar da fome, nada comeu. O gosto ruim permanecia na boca e uma sensação ainda pior, no coração.

Voo atrasado, M. leu no painel.
Voltou às palavras cruzadas mas não conseguia se concentrar; pegou uma revista e só via as fotos, os pensamentos surgiam como cenas de um filme, sem controle. Fechou os olhos, e respirando lentamente, contava 6 tempos para inspiração e 6 para expiração. O coração voltou a bater normalmente, o suor das mãos foi secando e M. foi, pouco a pouco, voltando ao normal.

Não dormiu a viagem inteira, só chorou!

Ao chegar, pode ver que na outra cidade havia raios de sol, mas nuvens carregadas anunciavam temporal no final da tarde. Sozinha em casa no primeiro dia do ano. Geladeira vazia, casa vazia, cama vazia e o coração vazio de tudo. As festas de final de ano. Sozinha outra vez, sem ter o que fazer, envergonhada de dizer “voltei”, e de novo aquele aperto no coração, um pedaço de si cortado em tiras, uma dor sem tamanho...

Abriu a valise de couro e desdobrou o vestido novo que seria usado no aniversário do amigo dele; o presente que seria dado após a ceia da meia noite para ele ; a lingerie amarela que daria sorte, aos dois, no novo ano; o enfeite para o quarto do primeiro netinho dele; a rolha do champagne tomado com alegria na noite anterior; o perfume usado na noite fatal e que agora lhe dava enjôo (nunca mais aquele cheiro); roupas novas para a viagem de dez dias, com ele; viagem programada, roteirizada, organizada por ele; joias cuidadosamente separadas para serem usadas com ele. E agora ?

O que fazer durante todos esses dias, todo esse tempo em que estaria de férias?

Nada . O que pensar do que aconteceu, como foi mesmo que tudo desmoronou daquele jeito? Nada ! Como pessoas adultas se entregam assim, ao descontrole? Como é possível não considerar, ainda que sob tensão, tantos anos de convívio? E agora, fazer o que? Telefonar? Mandar um recado ? Não, a dor era imensa e nela não cabiam alternativas. Tomou um café , um banho, um remédio para dormir; um cd de ópera, uma furtiva lacrima. O gato se enroscou em suas pernas e adormeceram, assim, os dois, até o outro dia de manhã, bem tarde.

Quando acordou já era o segundo dia do ano novo.

E não havia sol.

E de volta no Castelo, com os aposentos de luzes acesas, Rosângela Maluf, a excelente escritora que tem espaço cativo por aqui. Vale a pena ler o conto acima, de sua série: Mulheres. Mais sobre todo o seu talento em http://romaluf.blogspot.com.

João Lenjob
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TEXTO ACIMA CEDIDO E AUTORIZADO POR ROSÂNGELA MALUF

terça-feira, 29 de março de 2011

Porta-Retrato: Vanessa Freire

Vanessa Freire apresenta a Exposição: Casamento Submerso












































































































































































































E, finalmente, Vanessa Freire! Embora muito amiga do Poeta, demorou para que fosse efetivado o convite para expor
seu talento aqui no Castelo. Excelente fotógrafa, sua primeira exposição aqui foi aquática, mas teremos muitas outras... E que suas imagens continuem poetizando noivos e poetas por aí! Para conhecer mais do seu trabalho é só entrar em seu flickr: http://www.flickr.com/photos/vanessafreire; ou em seu site: http://www.vanessafreire.com.
Os noivos modelos são Jonathan e Tamara.

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O MATERIAL ACIMA FOI CEDIDO E AUTORIZADO POR VANESSA FREIRE

segunda-feira, 28 de março de 2011

Estúdio: Céllia Nascimento

Céllia Nascimento apresenta: Olhos Coloridos



A Viscondessa Céllia Nascimento, atriz da Oficina do Zé Celso, é também cantora de nobre talento. Saiba mais sobre ela em seu site: www.cellianascimento.com.

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O MATERIAL ACIMA FOI CEDIDO E AUTORIZADO POR CÉLLIA NASCIMENTO

domingo, 27 de março de 2011

Anfiteatro: Mayara Dornas





















O Castelo, para fins de manutenção do layout e não poluição do mesmo, só abre espaço para divulgação de eventos excepcionalmente, para parceiros ou, como neste caso, para Mayara Dornas, que trabalha conosco e é atriz nesta peça, Delírio em Terra Quente, que vale a pena conferir.

Release:

O espetáculo teatral Delírio em Terra Quente surgiu de um encontro entre os formandos no Curso Profissionalizante em Arte Dramática do CEFAR - Palácio das Artes e o Grupo Espanca!. O espetáculo cumpriu temporada em Belo Horizonte, em dezembro de 2010.
Construído a partir de contos latino-americanos do realismo fantástico, de autores como Gabriel Garcia Marquez, Júlio Cortázar, Antonio di Benedetto, Delírio em Terra Quente investiga o imaginário que permeia os costumes da América Latina - a construção de uma identidade latino-americana, a formação histórica, política, social e cultural de seu povo. Delírio em Terra Quente é uma dança entre aquilo que se idealiza e aquilo que é se realiza numa terra quente como a nossa. No ano de 2011, os atores, apoiados pelo Grupo Espanca!, decidem dar continuidade ao espetáculo, acreditando que ele aborda temáticas importantes acerca de questões políticas e sociais da América Latina, de que fazemos parte.

Hoje o grupo se apresenta às 18:30 e às 21horas.
DELÍRIO EM TERRA QUENTE
Local: Espaço Ambiente - Rua Grão Pará 185 Santa Efigênia
Horário: Domingo, 27 de março de 2011 - 21 horas

OBSERVAÇÃO
A sessão de 18:30 está ESGOTADA

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MATERIAL FORNECIDO POR MAYARA DORNAS

Nota de Falecimento: Cibele Dorsa

O Castelo do Poeta lamenta o falecimento da jovem modelo e atriz Cibele Dorsa, no dia de ontem, 26/03/2011, e comunica os profundos sentimentos. A arte perdeu mais uma vez, mas com a certeza de que Cibele deixou aqui seu recado, seu legado e muitas alegrias e talento para tantos corações. Que Deus ilumine sua família e amigos.

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sábado, 26 de março de 2011

Chamada: Olavo de Castro



“Doce Ismênia”
25 de março a 3 de abril (sextas e sábados, às 21h, domingos, às 19h)
Teatro Oi Futuro Klauss Vianna

Chamada:
Olavo de Castro

Direção, concepção geral e texto:
Rita Clemente

Interpretação:
Isaías Campara Neto
Olavo de Castro
Patrícia Siqueira
Rita Clemente

Estudos e desenvolvimento inicial do roteiro:
Bernardo Nogueira
Teresa Virgínia Barbosa

Assistência dramatúrgica:
Daniel Toledo
Maria Clara Xavier

Assistência de direção:
Daniel Toledo

Revisão de texto:
Maria Clara Xavier

Direção de atores:
Marcio Abreu

Desenho de luz:
Guilherme Bonfanti

Cenário:
Rita Clemente

Figurino:
Ana Luisa Santos

Direção de arte:
Francisco Magalhães

Criação de trilha sonora:
Dom
Jairo Thiersch

Criação audiovisual:
André Hallak
Daniel Toledo

Criação web:
Daniel Toledo

Criação gráfica:
Mangá

Assessoria de comunicação:
Adilson Mariano

Produção MG:
Fernanda Magalhães

Classificação etária:
14 anos


Edição de Vídeo:
Castelo do Poeta

Música de Vídeo:
Abracadabra
João Lenjob e Vinícius Inácio

Interpretação:
Vinícius Inácio

sexta-feira, 25 de março de 2011

Aquarela: Grupo Bastardo

No Panamá do Poeta apresenta: Grupo Bastardo - Coletivo de Pintura



Acompanhado pelo coraborador e Marquês Breno Muniz, inaugurando o Programa "No Panamá do Poeta", o Castelo do Poeta compareceu à Exposição Grupo Bastardo - Coletivo de Pintura, que ficará em evidência até o próximo dia 09 de abril na Galeria de Arte Beatriz Abi-Acl, na Rua Santa Catarina 1155, Bairro de Lourdes, em Belo Horizonte. Os artistas plásticos são: Daniel Hazan, Arthur Arnold e Leandro Figueiredo, na respectiva ordem da entrevista em vídeo.

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MATERIAL PRODUZIDO E EDITADO POR CASTELO DO POETA

Projetor: VII Mandamento

Priscila Venturim apresenta o curta-metragem VII Mandamento



Priscila Venturim, bela e talentosa atriz mineira, hoje está no Rio de Janeiro para conquistar seu espaço e, é claro, com todo o apoio do Castelo do Poeta.

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MATERIAL CEDIDO E AUTORIZADO POR PRISCILA VENTURIM

quinta-feira, 24 de março de 2011

Estúdio: Fernamda Ca

Fernamda Ca apresenta a canção Copo d'Água



Conheci a Viscondessa e Cantora, de Juiz de Fora como eu, Fernamda Ca, ainda Nanda, ainda assinando Cavalcante, há muitos e muitos anos, vertente com a minha relação com seus familiares em Nova Era. Sempre bela, atenciosa, carismática e enfim: talentosa. Recenemtente assisti à sua apresentação com Banda no Palácio das Artes em Belo Horizonte e me surpreendi com tamanhas presença e expressão em palco. Uma voz soberana para um Rock com a puxada MPB exclusivamente sua. Coincidentemente surpreendente tive o privilegio seguidamente um encontro com ela em locais padrões da capital mineira onde conheci toda a Banda. A Fernamda voltará muitas vezes no Castelo e para frente pensamos numa Entrevista. Sobre ela, tem muitas alternativas: http://www.myspace.com/fernamdaca, http://www.oinovosom.com.br/fernamdaca, http://www.bandasdegaragem.com.br/fernamdaca, http://fernamda-ca.conexaovivo.com.br, http://toquenobrasil.com.br/rede/fernamdaca.

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MATERIAL CEDIDO E AUTORIZADO POR FERNAMDA CA

quarta-feira, 23 de março de 2011

Biblioteca: Juliana Borges

Menina de Fases
Juliana Borges

Ela se chamava assim: “menina de fases”. Desde muito nova, quando começou a sentir que tinha alguma coisa de diferente dentro da sua cabeça, mudou o nome que a mãe lhe dera pra esse, assim ninguém iria saber quem ela era de verdade. O nome ela escolhera por causa da sua história, do seu segredo, do que a fez entrar e viver no quarto olhando pro céu.

Achava que tudo na sua infância era sem sentido, as amigas aprendendo e ela não sabendo nada, não escrevendo nada, não pensando em nada, até que um dia cismou com algo que viu nascer no céu e aí passou a imaginar o tempo todo como aquela bola enorme que mudava de forma tinha ido parar ali, naquele alto de escuridão sem fim.

Depois disso não quis mais sair de casa. Ficava horas na janela do quarto esperando a bola aparecer e quando a mãe dizia que ela tinha que comer, que dormir, que tomar banho, que falar, que sentir, que viver, olhava pra mãe e perguntava, com aquilo que parecia ser sua voz: “mãe, cadê a bola que hoje não aparece?”

No início a mãe tinha a maior paciência. Sentava-se ao seu lado, explicava que aquilo que ela via não era bem uma bola, ensinou que o nome era lua e, quando ela ficou maior, a mãe contou também das fases... Mas depois, quando a mãe viu que ela não saía mais de lá, que perguntava sempre as mesmas coisas, que só pensava na bola que era lua, a mãe começou a mostrar medo. Depois começou a trazer umas pessoas estranhas pra falar com ela, como se ela fosse doente. Isso ela entendeu logo... Era um tal de “olha, doutor, só fica aí olhando pro céu e não quer fazer outra coisa...”, ou “desde sempre, nem me lembro dela em outro lugar”, “pra comer, só se eu levar uma foto da lua junto com o prato, senão ela não desvia o olho do céu...”

Mas ninguém dava resposta alguma pro medo da mãe... Até o pai, um dia, resolveu ir embora... E ela ouviu bem quando ele falou: “fica aí, então, só pensando na sua filha maluca, que eu cansei dessa bobagem de ter que entender essa menina ao invés de deixar ela lá, morando no hospital, que nem o doutor falou”

Nesse dia teve pena da mãe. Ouviu a porta de casa bater, depois a mãe soluçar bem alto o tal do choro, pensou em ir ter com ela e passar a mão no seu cabelo, mas logo desistiu... E se ela saísse e a lua aparecesse pra buscá-la? Não podia se arriscar. Depois que se convenceu de que a bola era lua, teve que entender porque ela mudava de forma, tinha jeitos diferentes e época que ia sumindo até ficar dias sem surgir no céu... Aí percebeu que a lua queria falar com ela... E depois disso, ouviu ela lhe dizer que um dia iria descer lá do céu pra buscá-la. Mas ela ia ter que fazer tudo muito direito. E o direito era ficar ali, espreitando suas fases, esperando uma noite após a outra, e se saísse dali perderia a chance de encontrá-la. Era esse, então, o seu segredo. E não adiantava mãe nem doutor perguntar. Ela não dizia mesmo. E não queria nem saber de desistir do que passou a ser seus dias e suas noites ao redor daquela janela.

Aí a janela se transformou em espelho. Ela demorou um pouco a perceber a mudança, mas começou a notar que quando olhava pra janela, via a lua com seu rosto. No início foi tudo muito estranho mesmo. Ela, que nunca sentiu nada acontecer de muito diferente, começou a sentir vontade de fugir. Porque seu rosto começou a mudar, acompanhando as fases da lua. Afinava, crescia, arredondava e quando sumia, ela perdia a voz e parecia desaparecer no quarto. A mãe chamava e ela não conseguia nem dar sinal de vida. Não conseguia nem se mexer, quanto mais abrir o olho... E alguém sem rosto tem como ter olho? A mãe que tivesse lá o bom senso de entender isso...

Ficou assim por um tempo que ela nem sabe quanto. Só acreditava que fase e face era uma coisa só, mas depois perdeu o medo e achou que isso era um bom sinal, era o jeito da lua mostrar que o dia de vir lhe buscar estava cada vez mais próximo de acontecer.

Mas fora do quarto o barulho foi ficando maior depois dos dias de quietude, sem as brigas do pai com a mãe por sua causa... Parecia que entrava e saía gente toda hora, umas vozes falando pra mãe que aquilo era doença, que estava ficando cada dia pior, o que vai ser dessa menina, uns querendo entrar no quarto e a mãe, confusa, abrindo e fechando a porta sem parar, “não tenho coragem de deixar levarem a menina”, e ela sabia que a mãe era a única que aceitava ela ali, do jeito dela, da lua dela, das fases dela.

Hoje ela acordou achando que é esse o dia... Um brilho entrando pelo quarto como nunca aconteceu nesses dezoito anos dela de olhar pro céu procurando a lua. O rosto, no espelho da janela, mais lindo que nunca. Foi até capaz de sorrir. Sabe que a noite de hoje vai ser muito diferente. A casa está num silêncio só, nem a voz da mãe ela consegue ouvir direito. Enquanto espera, entra um moço que ela nunca viu no quarto. Não vai falar com ele nada, assim ele desiste e vai embora. Mas ele começa a falar umas palavras que ela não consegue escutar, tudo embolado... Mas esse moço é diferente dos outros. Não tem cara de doutor que quer que ela vá pro hospital. Ele senta-se perto dela e olha pra janela. Parece ver o mesmo que ela... “é aqui o espelho que você disse pra sua mãe?” Depois de um tempo de silêncio ela balança a cabeça, certa de que ele também não vai acreditar. Ele olha pra janela, olha pro céu, olha pra lua, fala como se estivesse pensando alto: “se eu visse sempre essa lua linda ia também querer parecer com ela, até ir embora com ela daqui”... Ela leva um susto enorme, “como esse moço sabe do meu segredo? Será que a lua é que mandou ele aqui pra me buscar?” Seu olhar passa da janela pro rosto do moço. Sem saber se deixa ele perceber que ela escuta o que diz, fica a observá-lo disfarçadamente, enquanto ele continua a dizer palavras de convencimento... “então você é mesmo a menina de fases que vive aqui, nesse quarto iluminado?” Ela balança a cabeça, mas sem deixá-lo, ainda, conhecer sua voz. Ele começa a lhe contar uma história comprida, de como tem vida lá fora do quarto, das ruas, da cidade, das pessoas, quer levá-la pra passear antes de irem ter com a lua, que ele já sabe que ela pensa que é hoje o dia de ir viver no alto do céu. Passam horas assim, ele falando devagar, com a voz baixa, ela escutando e pensando se deve ou não sair com ele dali, de onde vive escondida há mais de anos sem ver ninguém do lado de lá, a não ser a mãe, o pai, quando ainda vivia com elas, e os médicos que a mãe chama pra tirá-la dali. Pergunta-se se ele não seria mais um deles, mas nenhum falou com ela assim, sabendo do seu segredo, acreditando na mistura dela com a lua, conseguindo ver seu rosto no espelho no qual a janela tinha se transformado. Ele parece saber tanto de tudo o que ela sempre escondeu que ela começa a pensar em ir com ele logo, assim encontra a lua mais depressa. Fica, então, animada. Ainda calada, consente, com um gesto, em sair dali. E quando ele diz pra ela recolher seus pertences, ela responde, finalmente, que não é preciso ter qualquer objeto, só precisa de seu rosto, e que este, sim, é a única coisa que ela tem que interessa à lua, pois é dele que ela se apropria pra refletir as fases que surgem no céu.

E foi assim que o moço, segurando-lhe as mãos, abriu a porta do quarto pra menina de fases. E o caminho que tomaram, se o do céu ou se o do hospital, ninguém conseguiu, até hoje, decifrar.

A querida Viscondessa e Escritora Juliana Borges cedeu mais uma vez seu brilhante talento com este belo texto. É muito bom tê-la por aqui. O Castelo terá sempre seus portões abertos para ela. Seu blog, muito bom, é o http://primaletra.blogspot.com.

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TEXTO CEDIDO E AUTORIZADO POR JULIANA BORGES

Verso Liso: Raquel Villar

Raquel Villar interpreta Na Falta de Teus Olhos

video

A querida Atriz Raquel Villar, atualmente Esmeralda na trama das Seis Araguaia, é além de simpática, um talento e atenção. E com adjetivos tão característicos fez a declamação do poema Falta do Teu Sentimento com doçura e carinho. Assim transmito a vocês um pouco mais do talento que já conhecem. Em breve devo entrevistá-la por aqui. Mais sobre seus projetos no AM Company.
Mais do Verso Liso.

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O VÍDEO ACIMA FOI AUTORIZADO POR RAQUEL VILLAR

terça-feira, 22 de março de 2011

Quadro de Avisos

A Erd Filmes, companheira do Castelo, necessita de quatro atores, sendo três homens e uma mulher que residam em Pelotas, RS.
Homens entre 18 e 45 anos
Mulheres entre 18 e 30 anos.
Quem se interessa ou conhece pessoas características favor entrar em contato através do e-mail erdfilmes@erdfilmes.com.br.

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Porta-Retrato: JC Martins

JC Martins apresenta a Exposição Gente da Bahia
































































































































O Visconde JC Martins apresentou sua visão interessante e de talento da Bahia. Traços em muito bom gosto. Mais de sua obra em http://jcmartins.com/.

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MATERIAL CEDIDO E AUTORIZADO POR JC MARTINS

segunda-feira, 21 de março de 2011

Estúdio: Ana Gilli

Ana Gilli apresenta Como Dizia o Poeta



A Viscondessa e Cantora Ana Gilli é uma bela e simpática cantora paulista, que aos poucos vem construindo seu histórico em rede e mapa nacionais. Sempre atenciosa, não ficou de fora do Castelo e, com muita atenção, cedeu este e mais alguns vídeos que futuramente serão veiculados. Mais canções e http://www.myspace.com/anagillicantora.

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MATERIAL CEDIDO E AUTORIZADO POR ANA GILLI

domingo, 20 de março de 2011

Entrevista para Rede Minas


Entrevista cedida ao Programa Agenda da TV Minas, com o privilégio de ser indicado pela talentosa e generosa Fernanda Ribeiro.
Agradeço especialmente Luiz Péricles e Joana Azevedo.

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sexta-feira, 18 de março de 2011

Porta-Retrato: Luciana Sá

Luciana Sá apresenta a Exposição: Dianamarca - Copenhagen




















































































































































































































A Marquesa Luciana Sá arrebenta mesmo nas exposições européias. Um pouco de turismo no olhar de fotógrafa, com graça, com elegância e talento que ela tem. Mais sobre seu trabalho no www.lucianasa.com.br.

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MATERIAL CEDIDO E AUTORIZADO POR LUCIANA SÁ